quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Conhecendo mais da Ditadura

Como todos sabem, minha área de concentração em pesquisas é o período da Ditadura Militar. Não nego o interesse por um período da História Brasileira onde ainda se há tanto a descobrir e, ao mesmo tempo, as autoridades insistem em esconder. Hoje, posto aqui dois sites que penso ser interessantes para que haja um maior conhecimento público de alguns projetos que trabalham para esclarecer o período.

O primeiro dos sites é o Memórias Reveladas (http://www.memoriasreveladas.arquivonacional.gov.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=43), uma iniciativa do Governo Federal em parceria com empresas estatais e de economia mista que pretende garantir o direito à vida e à verdade, apresentando documentos, nomes e listas de desaparecidos políticos do período. Infelizmente, por falta de verba federal, o projeto teve que ser interrompido e não se sabe quando ou se será retomado. Uma pena, realmente.

O segundo é o Memória da Censura no Cinema Brasileiro (http://www.memoriacinebr.com.br/default.asp) que é um projeto de iniciativa privada voltado para a divulgação de documentos oficiais arquivados pelo DEOPS (DOPS) sobre algumas das mais importantes produções cinematográficas do país que foram alvo da censura durante a Ditadura Militar. O site traz informações valiosas dos filmes, bem como a possibilidade de compra de um DVD com todo o acervo disponível para consulta fora da internet. Vale conferir!

É mais antigo do que as mulheres pensavam...

É fato que toda mulher, ainda adolescente, fica incomodada com uma coisa chamada de ciclo menstrual. Fator causador de vários efeitos colaterais, a substituição hormonal feminina também foi um tormento para as mulheres no passado e a História atesta isso em suas páginas culturais.

Ainda por volta do ano 2000 a.C. já eram conhecidas na China técnicas para tentar controlar o fluxo sanguíneo proveniente da menstruação. Os primeiros absorventes eram feitos com volumosos chumaços de algodão amparados por pedaços de madeira em forma de minicubo, suficiente para que a mulher colocasse entre as coxas e pudesse deslocar-se sem problemas, ao mesmo tempo convivendo com o "incômodo sangramento".

Após a mudança das etapas da História, as técnicas foram as mais diversas: desde chás e bebidas que prometiam retardar o ciclo e as dores, até compressas com toalhas quentes, chegamos ao século XIX, onde o absorvente fez as coisas parecerem mais simples. Embora os primeiros absorventes não tenham sido no tamanho ideal e dado o conforto necessário às usuárias, não podemos negar a melhoria das formas de conviver com as alterações corporais femininas.

O século XX, século das invenções marcado pela alta tecnologia até então na História, aperfeiçoou os materiais e deu o tão sonhado conforto aos absorventes com a técnica das abas duplas. Hoje, apesar do "problema" ser tão antigo, as mulheres agradecem à indústria pela tentativa de lhes facilitar o convívio com esta etapa biológica.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Uma família fadada ao destino

O título da postagem refere-se, nada mais, nada menos do que à família Kennedy. Entre uma trajetória vitoriosa na vida política norte-americana ao fracasso envolvendo acidentes e doenças terminais, os membros dessa dinastia se fizeram presentes na História de maneira decisiva.

Desde o mais conhecido, o presidente John Fitzgerald até o senador Bob Kennedy, morto há 20 dias vítima de câncer, o que podemos pereber da família Kennedy é que os seus membros traçaram um perfil de políticos carismáticos, incisivos, decididos e vencedores em suas vidas. Porém é preciso haver humildade também na política, coisa que faltou a esses homens e os mesmos acabaram incluindo insucessos nas suas alíneas históricas. Escândalos amorosos, fraudes e sonegações, livros e revistas contando suas intimidades foram alguns dos aspectos negativos que puderam jogar uma pá de terra na imagem desses homens.

Entretanto, os Kennedy se tornaram mitos não somente por serem polêmicos, ousados ou participado de importantes momentos da História: mas sim por serem pessoas de alma fraca, pequena, de se conformarem com as coisas que se sucediam como se fossem transcursos naturais da vida. A inércia é um dos males da personalidade, pois outras pessoas podem se aproveitar disso e fazer de suas pretensões armas para destruir imagens que demoraram anos para serem consolidadas. Com os Kennedy não foi diferente: John fora assassinado friamente, o irmão mais velho teve um fim trágico em um acidente aéreo e o irmão mais novo foi vítima de sucessivos escândalos na imprensa norte-americana.

De toda forma, os Kennedy são exemplos para o povo dos Estados Unidos e modelos de governo. Os "queridinhos da América" serão, por muitas vezes, lembrados como heróis por boa parte do povo americano que ainda deve manter vivo esse mito durante mais algumas décadas até que a família desista desse status publicamente construído.

sábado, 1 de agosto de 2009

As Escolas Históricas

Atendendo a um pedido de Igor, vou falar um pouco sobre os Annales na postagem de hoje. Esse é um tema bastante debatido na academia e sempre está sendo alvo de novas leituras pelo interesse que desperta na comunidade de historiadores.

Antes de tudo, é preciso explicar o que significa uma Escola quando nos referimos a Escolas Históricas. Nesse sentido, uma Escola seria um grupo de pensadores que desenvolvem modos de enxergar e escrever diferentes do tradicional para diversificar o conhecimento histórico. A mais famosa das Escolas de pensadores da História é a dos Annales.

Nascida no início do século XX, a École dos Annales tem uma forte tradição francesa, sobretudo de historiadores que procuraram fugir do tradicionalismo da História Política dos grandes feitos dos reinos e impérios, dos grandes vultos da História, das grandes batalhas e revoluções - o que também é chamado de Escola Tradicional ou Evementiélle. A intenção dos Annales é observar os pormenores da História, os excluídos, aqueles que foram esquecidos pela Historiografia (a forma como se escreve a História) Oficial até o século XIX.

Notabilizaram-se por serem grandes pensadores dos Annales: Fernand Braudel, Marc Bloch, Jacques LeGoff, René Remond, entre tantos outros. Os referidos autores exploraram conhecimentos como a História das Crianças, das Doenças, da Memória das pessoas que viveram uma época, das Culturas, entre outras leituras importantes e diferenciadas da História. Ganharam projeção e respeito, sobretudo na França e na Inglaterra.

A partir dos anos 1960, portanto quarenta anos depois de sua fundação, a Escola dos Annales passou pelo que nós chamamos de "virada linguística", observando o surgimento de uma intersecção entre a Literatura e a História, revendo a forma como esta era escrita a partir da Análise de Discurso (forma como se entende a montagem e as características de um texto, bem como seu sentido explicativo). A História então passou a receber importantes contribuições do pós-Estruturalismo e do Pós-Modernismo, especialmente pelos estudos de Michel Foucaut e de Michel de Certeau. Outros foram igualmente bastante importantes, como os ingleses E.P.Thompson e o marxista Eric Hobsbawn.

Assim, uma Escola Histórica tem por finalidade analisar, esmigalhar, destrinchar a História em suas mínimas partes, em seus mínimos detalhes, sempre utilizando-se de ferramentas que possam promover uma interatividade de conhecimentos que enriqueçam seu trabalho. Atualmente, a História vive uma relação muito forte com a Literatura e as produções têm se voltado bastante ao discurso crítico.

O mais importante é a forma e a importância dada pelos Annales ao trabalho do Historiador. Certa feita, essa semana em minhas leituras vi que o historiador italiano Carlo Ginzburg disse que "o historiador nunca é estranho ao seu tempo". Se o historiador não estiver atento aos pormenores da História, bem como ser conhecedor de uma boa técnica de investigação, de busca dos fatos, assim como tiver uma escrita fácil e bastante apurada, ele sempre estará dando voltas em círculos e não trará nenhum conhecimento realmente relevante para a historiografia, apenas discutindo o que já foi produzido.

Foi a partir desse aprendizado que escolhi meu tema de mestrado: Os Brincantes do Silêncio - A atuação do Estado Ditatorial no Carnaval do Recife (1968-1975).

segunda-feira, 27 de julho de 2009

A importância de uma bandeira

Estive pensando num post diferente para essa semana e me ocorreu de pensar nas famosas bandeiras. No alto, imponentes e soberanas, demonstrando poder ou a meio pau, homenageando alguém que se foi, as bandeiras sempre fizeram parte da vida dos Estados enquanto símbolos autênticos de representação da força de uma nação e poder político.

Relemebrando alguns momentos onde as bandeiras fizeram diferença e apareceram de maneira a serem lembradas na História, considero seis bastante decisivos:

1 - Durante a Guerra dos Cem Anos, quando Inglaterra e França duelaram no confronto de Orleans e Joana D'Arc empunhou a bandeira francesa como símbolo de representação da casa de Capeto;

2 - Durante a Guerra de Secessão Americana, quando duas bandeiras, a da Federação e a da Confederação, lutaram para representar uma nação, um país unificado e independente de fato e direito com símbolos dignos de demonstrar uma organização de Estado real;

3 - Durante a Revolução Pernambucana de 1817, quando os revolucionários imaginaram cada símbolo constante na bandeira de Pernambuco que tivessem identificação com as coisas da terra e seu povo, bem como pudessem representar a soberania do Estado e o espírito de luta e bravura;

4 - Durante a Segunda Guerra Mundial, em especial após a Batalha de Iwo Jima, quando os americanos fincaram a bandeira de seu país em solo japonês e decretaram, a partir dali, o destino do conflito;

5 - No processo de redemocratização brasileiro após 1985, quando a bandeira foi pras ruas pedir as Diretas Já!, a Anistia aos presos e exilados e a retomada do espírito de ser brasileiro, de lutar e nunca desistir de construir, acima de todas as adversidades, um país melhor;

6 - Na Revolução Francesa, sendo que o azul representa o poder legislativo, branco o poder executivo e o vermelho o povo, os três dividindo igualmente o poder através dos lemas Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

Pode haver mais exemplos, mas os já citados demonstram que há uma completa identificação entre a nação e seus símbolos desde que os Estados Nacionais se fizeram representações de um determinado local, a identificação de um povo, a forma traduzida em objeto de poder. A onda que varreu o mundo na segunda metade do Século XIX com a "Primavera dos Povos" foi a grande responsável por tal feito que se cristalizou e despertou o senso de reconhecimento de cada membro que compõe uma nação naqueles símbolos, dotados de grande poder e imponência ainda nos dias atuais.