segunda-feira, 23 de junho de 2008

Queimando a fogueira

O São João chegou e, como não poderia deixar de ser, teve gente me pedindo uma postagem de feriado falando um pouco sobre a festa. Vamos ver senão primeiro que, por estarmos no Nordeste, a tradição é forte e aqui, mais do que em qualquer canto do país, a festa ganha contornos especiais, chegando a durar mais de um mês. Essa comemoração toda concentrada aqui no Nordeste, entretanto, não é por acaso.

As origens desses festejos remetem a datas mais antigas, possivelmente durante a Idade Antiga ainda, quando os habitantes do Hemisfério Norte se concentravam em torno de fogueiras para comemorar a chegada do solstício de inverno. Outra versão fala de práticas pagãs dos tempos medievais, onde as pessoas acendiam fogueiras para homenagear os deuses pela fartura da colheita, o que depois foi transformado pela Igreja Católica num culto em homenagem aos santos já conhecidos destas festividades: João, Antônio e Pedro.

Aqui na América, a festa começa a ser celebrada com a chegada dos colonizadores, sobretudo portugueses, que associam a prática com a época da colheita do milho das civilizações nativas. Eis aí também o porquê de termos esta variedade enorme de pratos típicos de milho na culinária junina.

Como não poderia deixar de ser, espero que todos tenham um bom São João e São Pedro.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Guerra Civil Espanhola - 69 anos depois

O Governo Espanhol, em nome do primeiro-ministro José Luiz Rodriguez Zapatero, decidiu trazer à tona fotos que foram tiradas durante a famigerada Guerra Civil Espanhola (1936-39) e que matou mais de 1 milhão de pessoas numa disputa pelo poder onde os nacionalistas de Francisco Franco venceram aos republicanos.

A intenção de liberar as fotos (em torno de 3.051) é para que parentes desaparecidos sejam buscados por seus familiares e resgatem um pouco da história do país, que ficou arquivada até 1975, ano em que Franco faleceu, pondo fim ao regime fascista no país e restaurando a Monarquia Parlamentarista.

Se é tarde ou não para resgatar a memória, as imagens ajudarão, ao menos, o público mais jovem a entender, na prática, um dos maiores horrores da história de seu país e, com certeza, da humanidade.

Segue link para a matéria e para algumas das fotos: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/06/080619_espanhaanelise.shtml

OBS: Aos que desejarem entender mais sobre o conflito, fica a dica de um excelente filme, de produção espanhola, que retrata muito bem o que foi esse acontecimento histórico - Las 13 Rosas.

Ditadura de volta??

Lendo as notícias hoje dos principais jornais de Pernambuco, me deparei com uma matéria interessante veiculada no site www.pernambuco.com/ultimas que traz um assunto polêmico novamente à tona: a possibilidade da volta da censura no Brasil, pelo menos no tocante à imprensa.

Não é novidade que durante a Ditadura Militar (anos 60, 70 e 80) a perseguição, proibição e controle rigoroso sobre a impresa foi uma marca importante do regime, que estabeleceu as regras constitucionalmente (1967) e, em toda medida, conseguiu manter com isso uma certa ordem onde tudo que fosse expresso deveria estar em concordata com o que o Governo pensava. Hoje, 23 anos após o fim do regime, o PDT deseja retomar esse princípio da censura graças à invasividade que a imprensa tem feito nos últimos tempos.

Quem vive do mundo das notícias sabe perfeitamente que, quanto mais inéditas, as notícias têm maior a proporção de ganharem destaque rapidamente, especialmente da maneira como atingirem os seus personagens principais (vide caso Isabella Nardoni). A impresa hoje em dia passa por cima de critérios éticos para buscar o "furo de reportagem", o inédito, e nessa busca acaba por atropelar os trâmites legais de princípios defendidos pela Constituição Democrática de 1988 como a individualidade e a inviolabilidade.

Pois bem, a proposta do PDT é que os jornalistas sejam regidos atualmente pelo Código Penal, como qualquer outro cidadão, o que não existe desde a aprovação da Constituição de 1988 e da Lei de Imprensa que fora modificada com relação à 1967 (Lei nº 5.250). Caso o Supremo Tribunal Federal (STF) aprove a requisição do PDT, os jornalistas terão que se submeter novamente aos critérios adotados durante o regime militar, tendo sua atuação controlada pelo Estado. Esse episódio nos faz lembrar de importantes elementos da imprensa que lutaram ativamente contra a censura e, de certa forma, acabaram se transformando em heróis, como é o caso de Vladimir Herzog e Édson Régis, em Pernambuco.

Concordo que a imprensa ultrapassa limites quase em 90% das situações onde está envolvida, mas daí a reativar a censura seria uma medida extrema em uma sociedade marcada pelas diferenças e pela liberdade de expressão. Voltar no tempo pode ser algo positivo desde que se aprenda com os erros e busquem-se soluções brandas e eficazes para o presente, entretanto não se faz necessário aplicar o Estado como elemento punitivo aos seus elementos. Sendo assim, seria melhor voltarmos ao antigo sistema de governo espartano ou até mesmo absolutista do século XVI, onde o Estado era mais importante do que até mesmo seus elementos constitutivos: os cidadãos.

Para quem desejar ler sobre a matéria acima descrita, segue o link: http://www.pernambuco.com/ultimas/nota.asp?materia=2008620090037&assunto=27&onde=1

domingo, 1 de junho de 2008

Napoleão Bonaparte em Pernambuco


Pouca gente sabe que o famoso general corso e mito da História Francesa, Napoleão Bonaparte, tinha planos para desembarcar em Pernambuco, vindo do exílio da Ilha de Snata Helena, que fica no Oceano Atlântico, próxima à costa da África. O plano só não se realizou por conta do fim da famosa Revolução dos Padres ou Pernambucana de 1817, cujos revolucionários tinham ambições republicanas fortes e desejavam contar com a figura do imperador para tal.


Quem nos conta essa história é Ferreira da Costa, historiador, em um artigo entitulado "Napoleão I no Brasil - tentativa de evasão do prisioneiro de Santa Helena concertado no entre emigrados franceses nos Estados Unidos e agentes da revolução pernambucana de 1817". Apesar de não ter sido colocado em prática, o plano era, no mínimo, ousado. Publicado em 1886, o artigo mostra que o então revolucionário Antônio Gonçalves da Cruz, conhecido pela alcunha de Cabugá, foi aos Estados Unidos conseguir recursos e armamentos para os revolucionários e teria em Washington se encontrado com um dos exilados da Batalha de Waterloo (Bélgica, 1815), a qual decretou a derrota do imperador e seu posterior exílio na Ilha de Santa Helena. A idéia era libertar Napoleão e levá-lo junto a uma grande leva de imigrantes a Pernambuco, fazendo com que o mesmo ajudasse na revolução e posteriormente retornasse à França.


Entretanto, o plano fora descoberto por oficiais ingleses e franceses, que imediatamente alertaram as autoridades de seus países em busca de evitar tal acontecimento. Até mesmo o irmão mais velho do Imperador, José Bonaparte, que governara a Espanha na época em que Napoleão impôs o famoso Bloqueio Continental à Europa, participaria da fuga. O artigo nos diz as seguintes palavras: "Assegura-se que José Bonaparte ocupa-se desde alguns meses com o projeto de raptar seu irmão da Ilha de Santa Helena, tendo um coronel, Latapie, já partido para Pernambuco com 32 homens [...]."


O governo de Pernambuco, sabendo da presença de Latapie, mandou que ele e seus homens fossem enviados ao Rio de Janeiro para serem deportados do país. Acabava então o plano ousado de resgatar o Imperador, que anos mais tarde (1821) viria a morrer na própria Ilha, de hemorragia causada por uma inflamação no esôfago. Os restos mortais do mesmo deixaram a Ilha em 1840 e foram levados ao Panteão dos heróis franceses, onde acredita-se que estejam até hoje em dia.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Presidente-Faraó




Estive, no último mês de abril, na capital federal (Brasília) e, além de resolver algumas pendências, conheci minha família e curiosidades sobre a bela cidade imaginada e projetada pelos tão famosos arquitetos/urbanistas Lúcio Costa e Oscar Niemeyer. Conheci vários pontos históricos, como a Catedral de Brasília, o Congresso Nacional, a Casa da Dinda, a Granja do Torto, Palácios do Itamaraty, Planalto e Alvorada, entre outros; porém, o que me chamou mesmo a atenção, foi o Memorial Juscelino Kubitschek.

Visitar aquele edifício nos remete a observações interessantes: 1 - o formato do edifício é piramidal, assim como vários outros edifícios presentes na Esplanada dos Ministérios; 2 - JK acreditava, piamente, ser a reencarnação de um famoso faraó (esta foi que me chamou a atenção de verdade).

Quando soube da convicção do Presidente Bossa Nova, jurei não acreditar. Depois que adentrei o Memorial JK, percebi o que ele pensou durante toda sua vida: além de seus pertences pessoais, desde sua época de estudante no interior de Minas Gerais até mesmo seus objetos mais particulares dos tempos de exílio nos Estados Unidos durante os anos 60 e 70, pude observar que JK, até mesmo na hora da morte, pensou em um faraó - fora colocado em um mausoléu que lembra um sarcófago, feito todo de mármore e com os dizeres: O Criador.

Ao avistar a parte superior do Memorial, onde se encontra o sarcófago, é impossível não notar demasiada semelhança, até porque a ante-sala que abriga o mesmo está disposta em formato piramidal. Logo em seguida, à direita e à esquerda, encontram-se os trajes mais pessoais de Sara Kubitschek, sua primeira-dama e do mesmo, respectivamente. Mais a frente, medalhas e objetos pessoais como livros, a Constituição e a faixa presidencial com a qual tomou posse.

Sem dúvida foi uma bela surpresa poder viajar no tempo fora e dentro daquele memorial. Eu que antes já enxergava JK como um dos presidentes mais notáveis desse país, pude observar que o mesmo era um homem de extrema elegância, conhecimento e humildade. Sem dúvida um exemplo ante essa corja que hoje manda e desmanda no país.

Abaixo, a imagem que fiz do celular do símbolo do Memorial JK iluminado pelo Sol ao entardecer (na visão egípcia antiga, seria o deus Rá abençoando o mausoléu eterno do faraó).